Vistas em Corte

Qual a razão da existência dos cortes?

A meu ver esta é a melhor forma de explicar este método, habitualmente esta pergunta é prontamente respondida com: “Para mostrar o interior, os ocos da peça”. Sem dúvida que a resposta é correcta. Mas vamos analisar de forma mais profunda a necessidade de representar em corte de certas peças.

Na minha opinião a regra de ouro do desenho técnico é a clareza de leitura. Mas nem sempre as peças são de leitura directa e clara, veja a figura ao lado, trata-se de um corte parcial, neste caso um meio corte. Esta peça em corte é de fácil leitura, mesmo tendo apenas 1 projecção. Foram usadas várias ferramentas para auxiliar a leitura deste componentes que faz parte de um redutor.

Imagine um componente com dezenas de ocos, e não conhece este método de representar as peças em corte. A quantidade de traço interrompido que representa os vários ocos invisíveis que se vão sobrepondo, dará origem a um desenho de muito difícil leitura. Os cortes ajudam a quem está a interpretar o desenho a perceber melhor a peça, mesmo não tendo indicação de corte o corte não seja indicado, como acontece na figura ao lado.

Aproveito para referir que a criação de vistas em corte não dá origem a novas arestas. O Corte é apenas um “artificio” usado para melhor ver o interior das peças que dele precisam.

Há no entanto várias regras que são referidas nas normas de desenho técnico que limitam e regem o uso do corte. Havendo extensa literatura sobre este assunto.

Devemos então usar cortes, sempre que tal favoreça a leitura e interpretação do desenho técnico. Mas atenção; existem muitos tipos de cortes e é necessário saber usar cada um deles nas situações correctas. Cortes simples, cortes multiplos, por planos correntes, por planos paralelos, cortes locais, meio corte, etc. são alguns exemplos de cortes possíveis e cada um deles tem a sua especificidade. Mais uma vez o estudo das normas é fundamental.

Cabe ao desenhador ter a sensibilidade necessária para escolher entre o leque dos cortes disponíveis.

Quando pretendemos cotar uma peça devemos apoiar as linhas de chamada das cotas em arestas visíveis e o corte e neste aspecto o corte é uma ajuda preciosa, num conjunto devemos usar cortes para poder visualizar os diferentes componentes que o constituem, pois não devemos apontar um balão para um elemento encoberto.

A definição de corte mais abrangente em que consigo pensar é:

Um corte é usado para mostrar um pormenor de uma determinada peça ou conjunto, num dado plano que é chamado de plano de corte, ou secante.

Não deve confundir corte com secção. Uma forma fácil de perceber a diferença entre os dois é pensar no seguinte exemplo: Quando vai à queijaria e pede meio queijo irá receber um volume de queijo, ficando a outra metade para outro cliente. Poderá imaginar uma secção como uma fatia finíssima, em que se o queijo tiver os tipicos olhinhos consegue ver através deles.

Este desenho mostra uma secção à esquerda. Note que apesar de existirem elementos para lá do plano de corte estes não são representados, como no exemplo da fatia de queijo

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