Acrescentei uma nova secção ao blog que dará pelo nome de Sólidos primitivos. Ai irei colocar pequenos trechos de textos que farão parte de um projecto maior.

Para já irá contar com um texto sobre AutoCad 3D, texto esse que ainda está em progresso mas que irei acrescentando à medida que for ficando disponível. Todo o conteúdo é apresentado ao abrigo da licença CC (Creative commons) Com todos os direitos reservados.


Nova secção sobre CAD

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Planificação de Chapa

Tenho recebido alguns pedidos sobre qual o melhor método para determinação do planificado de chapa quinada (dobrada).

Realmente existem alguns métodos uns mais expeditos e menos rigorosos e outros analíticos que permitem obter valores muito próximo da realidade.
Mas é possível obter o valor exacto, com 100% de certeza? Não, não é.

Na prática existem demasiados factores externos que acrescentam erros, seja a quinadeira que não está bem afinada na zona do esbarro, punções, matrizes, ou porque a pressão usada é desajustada, ou o material não tem uma estrutura uniforme e é mais duro em certas zonas, como por exemplo a chapa galvanizada ou porque o quinador cometeu um erro de leitura… Começa a tornar-se claro que obter uma valor absoluto é impossível.

Posição da fibra neutra

A chapa é fornecida à empresa planificada, depois é submetida a um processo de corte e consequente quinagem. O desenho do produto final, já quinado, apresenta as cotas relativas às diferentes quinagens (dobras) e um desenho do planificado.

O desenho com as cotas e ângulos das quinagens é entregue ao quinador e o desenho do planificado será entregue a quem fará o corte da chapa, que primeiro poderá ser aparada numa guilhotina e posteriormente retalhada numa punçonadora,máquina de corte laser, etc. É o desenho planificado o que iremos analisar.

Quando um material é submetido a uma força externa que resulta numa deformação permanente, dita deformação plástica, as fibras internas do material ficam submetidas à compressão e as externas ficam à tracção isto dá origem a uma fenómeno interessante, pois a soma das abas não é igual ao planificado, é realidade bastante menor. Mas onde fica o resto do “comprimento” que falta? Provavelmente nas curvas de união entre as diferentes abas, ou seja, o perímetro dessas curvas.

A formula do perímetro para um circulo completo é duas vezes pi vezes o raio, mas que raio? O interno, externo ou outro? Assim, julgo ser agora claro que o material consumido pelas dobras que unem as diferentes abas não pode ser desprezado e um erro na escolha do raio usado irá resultar numa falha mais ou menos elevada em função da curvatura ser mais ou menos pronunciada.

Entre as fibras que estão submetidas à compressão e à tracção existe “uma” fibra que será neutra, precisamente na zona de transição, dizer que essa fibra se encontra sempre precisamente a meio da espessura durante todo o percurso da curva é um erro! Quanto mais pequeno é o raio interno de curvatura mais essa fibra tende a aproximar-se desse raio interno. Se considerar um raio interno de zero, que na prática é impossível, a fibra neutra irá tocar no raio interno e neste caso será zero no ponto médio da curva mas começando logo afastar-se desse ponto. O problema é realmente complexo, por isso vamos simplificar e apresentar dois métodos para determinar a fibra neutra.

Como forma de aproximação consideremos que existe uma fibra neutra, que não sofre deformações, assim e seguindo este raciocínio o comprimento total desta fibra dará origem ao comprimento “exacto” da chapa planificada. Este comprimento total será uma aproximação muito boa ao planificado. Antes de apresentar o primeiro método, volto a referir que a fibra neutra nem sempre está a meio da espessura da chapa.

Método mais expedito

  • e≤ 1mm ou chapa enrolada, considera-se a fibra neutra a 1/2 da espessura.
  • e> 1mm, considerar a fibra neutra a 1/3 da espessura.
  • Caso a chapa não possa escoar livremente quando dobrada (o que quase sempre acontece quando são usadas prensas com cunhos e cortantes), considerar que a fibra neutra esta a 1/5 da espessura.

Método mais preciso e preferível

O método que apresento de seguida para determinação da fibra neutra é igualmente simples mas permite obter melhores resultados. É este é um dos métodos que os programa CAD de modelação paramétrica usam, chamam-lhe Bend Allowance.

A posição da fibra neutra é dada para letra “y”

a formula usada é:

y=B(e/2)

e- espessura

B – relação entre o raio e a espessura que é dada pela seguinte tabela:

r/e 0,5 0,8 1,2 2,0 3,0 5
B 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1

Daqui para a frente é só aplicar fundamento básicos de aritmética e alguma trigonometria.

Sugestão:

É simples implementar uma folha de cálculo no programa de sua preferência para que o calculo seja feito de forma automática.

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O que é esperado de um desenho de uma peça

Um desenho deve por si fornecer toda a informação necessária à produção do componente, definindo a forma e o tamanho, deve ainda estar totalmente dimensionado, toleranciado nas zonas em que tal seja necessário e conter todas as especificações necessárias à produção da peça, informação que habitualmente surge na legenda. Estas especificações na legenda inclui entre outras o material, possíveis tratamentos térmicos e superfíciais, notas relativas ao acabamento podendo dizer respeito a toda a peça ou apenas uma área específica, nome do desenhador e/ou dos responsáveis pelo desenho, habitualmente também é colocada a data.

Relativamente ao número de projecções, dúvida tantas vezes levantada; o desenho deve ter um número suficiente em função da complexidade do componente.


Toda esta informação está contida, independemente da complexidade da peça, num só desenho.
A quantidade de informação contida num desenho é por vezes avassaladora e a leitura de um desenho pode demorar bastante tempo tendo de ser lido por partes, no entanto, se esta informação fosse fornecida sob a forma de texto e no caso de alguns desenho mais complexos dezenas, senão centenas de páginas de texto e no final não conseguiria ter uma ideia global de toda a informação. Faça um teste simples, observe um qualquer objecto que tenha à sua frente, agora tente descrever a forma e as dimensões ao pormenor, depois disso tente indicar a possível margem de erro relativamente às dimensões e à forma, refira ainda o material e do acabamento, no acabamento qual o grau pretendido? isto e muito mais, para um objecto simples já irá dar origem a um texto bastante longo e com toda a certeza de leitura desagradável e longa.

Por estas razões o desenho técnico é na minha opinião um dos maiores avanços atingidos pela humanidade, e tem vindo a ser melhorado desde a pré-história. É realmente fantástico!

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O que é esperado de um desenho de Conjunto

Um desenho de conjunto implica que todas as peças pertencentes a uma máquina ou mecanismo sejam apresentadas de forma visível na posição correcta de funcionamento.
É comum sub-dividir o desenho de conjunto em desenhos de sub-conjunto, podendo estes ser dividos novamente até que o desenho se torne de leitura fácil. Por exemplo uma máquina pode conter vários módulos, como a estrutura de suporte, caixa de velocidades, sistemas pneumáticos, electricos, etc; cada um destes módulos pode ser detalhado em desenhos de sub-conjunto, irá depender da complexidade o nível de sub-conjuntos necessários.
O desenho de conjunto ou sub-conjunto deve fazer referência às diferentes peças ou módulos a que dizem respeito.
Para identificar os elementos são usados balões com numeros inscritos a que se faz corresponder na lista de peças a toda a informação relevante a esse elemento, como:

  • Nome do componente
  • Quantidade
  • Norma usada
  • Dimensão
  • Material
  • N.º do desenho de definição ou de sub-conjunto relacionado
  • outros elementos podem ser acrescentados, dependendo isto das características da maquina ou mecanismo.

Agora sobre a legenda de um desenho de conjunto, esta deve conter o peso total do conjunto assim como as dimensões de atravancamento, pois a probabilidade da máquina ou mecanismo ser transportado é grande e esta informação é necessaria para calcular o custo do transporte.Estas propriedades físicas são simples de obter nos programas CAD, basta fornecer a densidade do material o programa saberá qual o volume do sólido e por indica o valor da massa. O nome do desenhador e/ou dos responsáveis pelo desenho, habitualmente também é colocada a data.

Dependendo da empresa outra informação pode ser incluída na legenda.

Em baixo pode ver um exemplo de um desenho de conjunto de uma caixa redutora. Chamo a atenção que este desenho ainda se encontra incompleto visto ter sido usado numa prova.

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O Toleranciamento dimensional

Há dias, um formando que estava a iniciar um curso de técnico superior de manutenção perguntou-me: “Os chineses terão algum dia a capacidade executar peças com a mesma “qualidade” que os alemães?”

A minha resposta foi pronta e afirmativa.

Como ainda era a aula de apresentação, ele desconfiou e ficou com algumas reservas… Perguntei-lhe, mas porque razão dúvida? Mais uma vez o formando, que já andava a pensar nesse assunto à algum tempo, respondeu: “Isso é simples, a tecnologia alemã é mais evoluída, daí eles conseguirem obter peças com grande rigor dimensional e geométrico”.

Neste caso a experiência do formando, leva-o a pensar que existem diferenças entre peças que são fabricadas em diferentes pontos do globo e tal até poderá ser verdade. Muito embora nem sempre assim seja. Vamos analisar 2 situações:

1 – O Asiático compra um componente alemão e usa engenharia inversa para efectuar uma cópia do original.

2 – O Asiático recebe o desenho de definição de um componente com toda a informação necessária à realização da peça na prescrição final.

Na primeira situação (que é o que muitas vezes tem sido feito até aos dias de hoje), a peça deverá ser de “qualidade” inferior à segunda. mas porquê?

A resposta resume-se a uma palavra, “Toleranciamento”.

O Asiático que possui o desenho de definição irá conseguir realizar a peça exactamente igual à realizada na Europa. Isto porque sabe exactamente que uma determinada dimensão, forma, acabamento pode variar entre um valor máximo e mínimo e tem em suas posse a quantificação desses valores.

O grande segredo está em saber em que intervalo de valores uma determinada cota poderá ser considerada como aceitável para o bom funcionamento do conjunto. Este estudo, que é realizado pela equipa de desenvolvimento entra em conta com vários factores, como a forma como a peça deverá ser acoplada à outra, podendo ter folga, aperto ou então ficar entre os dois, dando origem a uma incerteza. Factores externos como as condições ambientais, nomeadamente temperaturas, que têm um papel preponderante na escolha correcta da tolerância a aplicar.

Imagine um avião, mais concretamente a asa; para além da flexão brutal a que uma asa pode estar sujeita temos de somar a isso, um gradiante térmico muito considerável. Em terra e quando expostos ao sol, os vários paineis que aluminio que constituem a asa, podem fácimente atingir temperaturas superiores a 50ºC, e quando voa a uns 33000 pés (FL330, cerca de 10km de altitude), atinge os -50 a -60ºC. Isto causa dilatações e contracções que têm de ser levadas em conta quando se corta o material para estes painéis à temperatura ambiente da fábrica, que ronda os 24ºC. Na industria aeronáutica as tolerências são levadas muito a sério.

Na prática, todas as cotas de um desenho acabam por ser toleranciadas, quanto mais não seja pelo toleranciamento geral. Há outras que precisam de um toleranciamento específico, mais cuidado. Essas cotas estão em zonas da peça onde habitualmente interagem outras peças, chamam-se cotas funcionais; podendo ser ter uma tolerancia, ou margem de erro, muito reduzida. Aliás há uma formula muito simples que traduz matemáticamente o que é uma tolerancia.

Tolerancia = (Valor de cota máximo permitido)-(Valor de cota Mínimo permitido)

ou

Tolerancia = (desvios superior)-(desvio inferior)

Com esta “limitação” quem vai produzir a peça devidamente toleranciada, vê-se obrigado a cumprir estes intervalos de valores, garantindo por isso a viabilidade de todas elas ao nível dimensional.

Assim, é perfeitamente possível ao chinês poder produzir uma peça projectada na Alemanha e vice-versa e de forma perfeitamente aceitável. Aqui a questão que se põem são os custos. Uma peça com tolerâncias apertadas é  naturalmente mais cara de produzir, em relação a uma peça que não tem qualquer limitação em termos de tolerâncias.

Por incrível que possa parecer há ainda muita gente que não está sensibilizada para esta realidade, e apenas me referi ao toleranciamento dimensional, e a um nível bastante básico. O objectivo deste texto, não é explicar como se tolerancia, mas porque é que se deve toleranciar.

Conceitos como tolerancia fundamental e desvios são assuntos que serão abordado num texto futuro. Apesar de serem conceitos simples e que a maioria dos técnicos lida no dia a dia há questões que se levantam todos os dias, que tolerancia aplicar neste caso? Será necessário uma tolerancia geométrica? será que devo indicar a rugosidade, estarei a exagerar ou a toleranciar por defeito?

A resposta é de facto mais simples que à primeira vista possa parecer na maioria dos casos.

Tomando como exemplo o desenho que faz parte de um exercício que usei com uma turma de Desenho de Construções Mecânicas.

Trata-se de um veio que suporta uma roda dentada, este por sua vez está apoiado em dois rolamentos autocompensadores.

As zona onde os rolamentos irão ficar, foram alvo de um tratamento cuidado, pois os rolamentos assim o obrigam.

Para poder garantir as tolerancias nessas zonas vi-me “forçado” a diminuir a rugosidade nessas zonas, ou seja, uma coisa acaba por induzir outra.

Neste caso o toleranciamento geométrico não está apresentado, pois era o objectivo deste exercício completar o desenho com esse toleranciamento.

Este veio, apesar de se tratar de uma peça relativamente simples, pode parecer, à primeira vista, complexa dada a abundância de anotações que tem. Todas elas são necessárias para a correcta definição do mesmo.

Com a indicação precisa do material a usar, e com todas as anotações necessárias, posso garantir que este veio iria cumprir a função; sendo produzido ora no ponto A ora no B.

Note ainda a capacidade de síntese do desenho, agora tente descrever todos os processos aplicados, tolerâncias, dimensões e formas por palavras, e rapidamente chegará à conclusão que não é capaz. O desenho técnico, com todas as normas que incluí é, sem dúvida, uma das ferramentas mais poderosas com que podemos contar.  É pena que este domínio técnico esteja a ser relevado para segundo plano, até mesmo pelas escolas técnicas.

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Vistas em Corte

Qual a razão da existência dos cortes?

A meu ver esta é a melhor forma de explicar este método, habitualmente esta pergunta é prontamente respondida com: “Para mostrar o interior, os ocos da peça”. Sem dúvida que a resposta é correcta. Mas vamos analisar de forma mais profunda a necessidade de representar em corte de certas peças.

Na minha opinião a regra de ouro do desenho técnico é a clareza de leitura. Mas nem sempre as peças são de leitura directa e clara, veja a figura ao lado, trata-se de um corte parcial, neste caso um meio corte. Esta peça em corte é de fácil leitura, mesmo tendo apenas 1 projecção. Foram usadas várias ferramentas para auxiliar a leitura deste componentes que faz parte de um redutor.

Imagine um componente com dezenas de ocos, e não conhece este método de representar as peças em corte. A quantidade de traço interrompido que representa os vários ocos invisíveis que se vão sobrepondo, dará origem a um desenho de muito difícil leitura. Os cortes ajudam a quem está a interpretar o desenho a perceber melhor a peça, mesmo não tendo indicação de corte o corte não seja indicado, como acontece na figura ao lado.

Aproveito para referir que a criação de vistas em corte não dá origem a novas arestas. O Corte é apenas um “artificio” usado para melhor ver o interior das peças que dele precisam.

Há no entanto várias regras que são referidas nas normas de desenho técnico que limitam e regem o uso do corte. Havendo extensa literatura sobre este assunto.

Devemos então usar cortes, sempre que tal favoreça a leitura e interpretação do desenho técnico. Mas atenção; existem muitos tipos de cortes e é necessário saber usar cada um deles nas situações correctas. Cortes simples, cortes multiplos, por planos correntes, por planos paralelos, cortes locais, meio corte, etc. são alguns exemplos de cortes possíveis e cada um deles tem a sua especificidade. Mais uma vez o estudo das normas é fundamental.

Cabe ao desenhador ter a sensibilidade necessária para escolher entre o leque dos cortes disponíveis.

Quando pretendemos cotar uma peça devemos apoiar as linhas de chamada das cotas em arestas visíveis e o corte e neste aspecto o corte é uma ajuda preciosa, num conjunto devemos usar cortes para poder visualizar os diferentes componentes que o constituem, pois não devemos apontar um balão para um elemento encoberto.

A definição de corte mais abrangente em que consigo pensar é:

Um corte é usado para mostrar um pormenor de uma determinada peça ou conjunto, num dado plano que é chamado de plano de corte, ou secante.

Não deve confundir corte com secção. Uma forma fácil de perceber a diferença entre os dois é pensar no seguinte exemplo: Quando vai à queijaria e pede meio queijo irá receber um volume de queijo, ficando a outra metade para outro cliente. Poderá imaginar uma secção como uma fatia finíssima, em que se o queijo tiver os tipicos olhinhos consegue ver através deles.

Este desenho mostra uma secção à esquerda. Note que apesar de existirem elementos para lá do plano de corte estes não são representados, como no exemplo da fatia de queijo

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… de volta.

É com algum receio, que o sentido de responsabilidade me leva a reactivar este blog. Ao longo dos tempos, e apesar da pouca actividade, tenho recebido alguns pedidos de esclarecimento e comentários. Noto interesse sobre o assunto num determinado numero de pessoas, que apesar de pequeno é suficiente para dinamizar este projecto.

Existem sim algum projectos pendentes, por exemplo, o livro de desenho técnico. Não avança porque não tenho editor interessado. Eu seu, podia fazer uma edição de autor, mas tenho grande dificuldade em saber ao certo o que posso publicar sem ferir direitos de autor, nomeadamente a publicação parcial de normal técnicas.

Este blog seria sobretudo uma incubadora de ideias para esse manual de Desenho/Projecto. Essa era a ideia inicial.

Aproveito ainda para divulgar a minha disponibilidade para realização de Acções de Formação a estudantes do ensino Secundário, Superior  e Empresas na área do Desenho de Construção Mecânica.

Também faço assessoria a empresas nesta área e CAD.

Por fim, espero que gostem do novo tema da página, mais sobrio e mais organizado, aliás, como um bom desenho técnico deve ser…

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Da necessidade à realização

Com toda a certeza que como desenhadores projectistas ou aprendizes  já pararam para pensar como é que nasce um produto. Um produto surge quase sempre de uma necessidade, mas quase? Sim, quase. Com a sociedade de consumo, cada vez mais produtos são, como forçados a entrar no mercado, a necessidade vem à posteriori,muitas vezes induzida por campanhas publicitárias agressivas e altamente bem estudadas para convencer o consumidor que precisa daquele objecto. Isto muda o paradigma da fase inicial do projecto, a necessidade.

Os princípios do desenvolvimento de um produto são amplamente conhecidos. E seguem a seguinte ordem:

  1. Identificação ou indução de uma necessidade
  2. Transformação da necessidade em algo exequível
  3. Investigação
  4. Criação das especificações base
  5. Processo criativo, ideias
  6. Criação de soluções para as ideias
  7. Análise das alternativas às ideias
  8. Criação de protótipo e testes laboratoriais
  9. Selecção da melhor das soluções encontradas
  10. Produção
  11. Marketing e comercialização
  12. Uso do produto no utilizador final (manutenção e reparação)

São estas as etapas comuns no desenvolvimento de um novo produto. Ao desenhador tem ainda de ter em mente uma série de variáveis, sobretudo na sexta etapa “criação de soluções para as ideias”, nomeadamente:

  • Respeitar normas
  • Implicações ambientais
  • Segurança
  • Ergonomia
  • Aspecto
  • Materiais a usar
  • Possíveis implicações legais
  • Prever futuras implicações (ex. compatibilidade com equipamentos futuros)
  • Necessidade especiais para a produção tanto humanas como de maquinas.

Tudo isto sem nunca por de parte duas variáveis muito importantes, o custo e o tempo.

Este percurso é levado a cabo por uma equipa multi-disciplinar e o desenhador projectista é uma das peças centrais neste puzzle.

Mas final o que se espera do desenhador projectista? Hoje com as poderosas ferramentas CAD o trabalho do desenhador passa por:

  • Participar no processo criativo de formação de ideias,
  • Desenhar os conceitos iniciais,
  • Realizar os cálculos necessários,
  • Escolha dos diversos elementos normalizados,
  • Preparar desenhos para protótipo,
  • Acompanhar o desenvolvimento do protótipo,
  • Realizar alterações nos desenhos,
  • Criar desenhos para a produção,
  • Realizar os de mais desenhos para manutenção, controlo de qualidade, ilustração, etc. …
  • Criar dossier do produto,
  • Arquivar desenhos,
  • Manter a base de dados dos desenhos actualizada.

As funções do desenhador podem ser ainda mais dependendo da equipa de desenvolvimento da empresa.

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A história do Desenho Técnico

Pinturas Rupestres

Pinturas Rupestres

Desde os primórdios que o homem tenta reproduzir sob forma de desenho as mais variadas situações, sejam elas ideias, objectos, etc. … As cenas de caça eram um dos principais motivos pois no paleolítico essa era a actividade principal e dela dependia a subsistência destes homens. Estes tipos de pintura são uma expressão artística e as teorias mais recentes afirmam que têm ainda um cunho ritualísta e que foram feitas pelos xamãs do grupo do Cro-Magnon. Em Portugal são conhecidas mais de trezentas localidades de arte rupestre, destacando-se os complexos do Vale do rio Côa e do Vale do Tejo.

Hieróglifos Egipcios

Hieróglifos Egipcios

Outros povos mais avançados, usavam o desenho mas como uma forma de escrita, como o caso dos Egípcios e os Maias para expressar ideias. Nestes casos a comunicação era feita de forma muito mais precisa e detalhada, já que se trata de uma escrita, mas perde o ponto forte do desenho, ou seja, a rapidez da percepção da ideia. A escrita foi evoluindo para sistemas cada vez mais simplificados, os alfabetos. Em paralelo o desenho também foi evoluindo atingindo representações quase fotográficas por volta do renascimento é também nesta altura que surgem os primeiros desenhos técnicos.

O desenho técnico alia a facilidade e rapidez de interpretação à precisão e detalhe da comunicação escrita, deixando de parte a expressão artística. Mas nem sempre foi assim, alguns dos desenhos de Leonardo Da Vinci tentam mostrar de forma técnica alguns dispositivos, no entanto faltam-lhe detalhe, o detalhe necessário para os reproduzir de forma fidedigna.

Foi preciso chegar ao século XVIII para que Gaspar Monge criasse a geometria descritiva, (inicialmente usada na engenharia militar), para que o desenho técnico perdesse toda a expressão artística para se tornar numa linguagem técnica universal e sem ambiguidades.

Geometria Descritiva

Geometria Descritiva

E assim o desenho técnico chegou ao estatuto de linguagem universal.

Ao criar o método diedrico, Gaspar Monge deu um grande impulso ao desenvolvimento tecnológico. Hoje em dia esse impulso ainda se propaga ao ponto de todas as áreas técnicas usarem o mesmo princípio da geometria na representação das mais variadas formas.

Este método foi sendo aperfeiçoado e simplificado, foram criadas normas para generalizar e uniformizar praticamente todos os aspectos do desenho técnico.

O conhecimento destas normas é essencial aos que lidam com desenhos, pois sem elas terão grande dificuldade em interpretar toda a informação contida num desenho. Imagine um cubo com um furo vazado numa das faces, agora tente descrever totalmente essa peça por forma a que a possa entregar para produzir da mesma forma que a imaginou, por exemplo no Japão:

…A Peça que pretendo é um cubo. Tem de lado 100 mm, ao centro de uma das faces existe um furo vazado, com 20 mm de diâmetro. Todas as peças que se afastem 0,1 mm acima da conta nominal de 20 mm e 0,2 mm abaixo da mesma serão peças consideradas fora da tolerância e por isso não serão consideradas operacionais. Em relação ao furo de 20 é tolerado um desvio simétrico da cota nominal de com um valor não superior a 0,05mm. As faces de cubo devem ser controladas em termos de forma, assim o toleranciamento geométrico admitido para o paralelismo entre as faces é de 0,1 mm…

Relativamente ao material, gostaria que o cubo fosse de alumínio, mas de um alumínio com uma dureza elevada (fica por precisar) As faces do cubo deverão ter uma rugosidade de ….

E a descrição poderia continuar… Repare que estamos a descrever um simples cubo com um furo vazado. O texto para além de longo é de difícil compreensão e provavelmente no final da leitura terá dificuldades em lembrar-se de todos os aspectos. Num desenho isso não acontece, “uma imagem vale mil palavras” é bem verdade.

O desenho técnico é uma ferramenta muito poderosa e em tudo espectacular e foi evoluindo muito ao longo dos anos. Com toda a certeza que ainda há espaço para evoluir, prova disso são as constantes revisões às normas de desenho. Daí ser essencial manter-se actualizado com a informação mais recente sobre normas de desenho técnico.

Cá em Portugal o organismos que comercializa e elabora as normas é o IPQ (instituto Português de Qualidade). No caso português o IPQ é composto de 122 Comissões técnicas, tento cada uma delas um domínio diferente de actuação.

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Toleranciamento geométrico

A grande questão será, quando devo usar toleranciamento geométrico?

Uma palavra sobre o toleranciamento geométrico. O T.G. existe nos moldes actuais à cerca de 50 anos e esta ferramenta possibilitou um salto qualitativo no desenvolvimento de produtos mais sofisticados, no entanto a sua utilização acarreta custos, todo o tipo de tolerâncias forçam um determinado intervalo de erro, que poderá ser maior ou menor conforme os casos. Quanto menor este intervalo mais caro será o produto final. Assim as T.G deverão ser usadas sim, mas só quando necessário.

Em que situações devemos então toleranciar? A resposta não é simples, pois depende dos casos. Há situações em que se torna imperativo que uma determinadas forma ou relação geométrica esteja dentro de parâmetros bem estabelecidos; por exemplo, na prática uma esfera nunca será perfeita, terá sempre um certo grau de ovalização, assim como o topo do tampo de uma mesa não será perfeitamente paralelo ao verso do tampo e por sua vez nem será perfeitamente plano. Aqui a questão será se a mesa apesar de imperfeita não cumpre a função para que foi idealizada?

As T.G. são vastamente usadas, deste o muito pequeno como na electrónica até ao muito grande, como na construção naval. Esta ferramenta possibilita estabelecer com exactidão a margem de erro das formas e das diferentes relações geométricas existentes entre as diferentes entidades geométricas.

As tolerâncias podem então ser dimensionais e/ou geométricas, as geométricas podem ser usadas individualmente ou em conjunto com as dimensionais, podendo ser directamente influenciadas por estas.

Eis um exemplo muito concreto da aplicação de toleranciamento geométrico

Toleranciamento Geométrico

Toleranciamento Geométrico para rolamentos

Conto voltar a este assunto futuramente, estejam atentos…

O próximo passo será sobre planificação de chapa quinada, quais os métodos mais exactos e quais os mais expeditos.

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